Le Pacte Des Loups (O Pacto dos Lobos)

segunda-feira, 13 de junho de 2011


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Sinopse

Em 1765, durante o reinado de Luís XV, uma misteriosa criatura traz pânico e terror em uma província rural da França. Chamada de a Besta de Gevaudan, ela atacava crianças e mulheres há meses e ninguém era capaz de prevenir suas ações, vê-la com nitidez ou sequer capturá-la. Desesperado em pôr um fim na situação, o rei decide então enviar ao local o renomado biólogo Gregóire de Fronsac (Samuel Le Bihan). Entretanto, Gregóire terá não apenas que lutar contra o monstro mas também contra a ignorância, a conspiração e a intolerância local, recebendo o apoio de duas mulheres, uma aristocrata e uma prostituta.

Crítica (feita na época do lançamento)


França, 1766. O Cavaleiro Grégoire de Fronsac (Le Bihan), acompanhado de Mani (Dacascos), um índio Mohawk, é enviado pelo rei Luis XV a Gévaudan, uma aldeia no interior sul do país, com o objetivo de capturar uma "besta" que assassina e mutila aldeões, principalmente mulheres e crianças. Para uns um lobo, para outros um monstro ou o próprio demônio, a besta parece conseguir sempre fugir sem ser vislumbrada pelos (poucos) sobreviventes (o tradutor anula o medo religioso, central à narrativa, traduzindo "bête" por "monstro").

Christophe Gans assinou a adaptação cinematográfica da manga "Crying Freeman" em 1995, dando o protagonismo a Mark Dacascos, num filme que misturava de modo satisfatório diversos gêneros populares do cinema asiático de acção, conseguindo ainda ser fiel à fonte original (exceto no que toca à componente mais marota). «Le Pacte des Loups» tem  Dacascos, mas relegado para o papel secundário do índio ocidentalizado que sabe kung fu, trazido do Canadá pelo herói da fita. Este é também um homem de muitos recursos: jardineiro, naturalista, curandeiro e intelectual, entre outras coisas úteis para a França do século XVIII.



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Mani em combate à maneira tradicional Mohawk
Gans, mais uma vez, mistura géneros diferentes moldando-os num todo relativamente coerente. Sob um fundo de intriga política palaciana, característica de obras de época deste período, o realizador funde alguma acção ao estilo de Hong Kong – uma moda que vai perdurando no cinema ocidental, com melhores ou piores resultados –, com o filme de horror de monstros e ainda com muita da estética da banda desenhada, sem rejeitar mesmo certos elementos das histórias de super-heróis, vertente mais adulta (tal é notório nos combates próximos do final, mas a série de cartazes com cada uma das personagens principais também se insere nesse conceito). Como tudo isto pode funcionar permitindo ainda ao espectador acreditar na componente mais realista (político-social) é a pergunta que se pode colocar. A verdade é que funciona, ao contrário de muitos outros filmes recentes que se esforçam por integrar elementos a título de "referência" ou moda e, chegados ao fim, levam-nos a concluir que acabamos de ver uma salganhada sem pés nem cabeça, mas com muito bom aspecto.


É certo que Gans usa e abusa de determinados efeitos (como a alteração da velocidade da imagem durante as cenas de acção) e a montagem denota um pouco do tique americano de apresentar lutas corpo a corpo em três planos (geral, golpe, reacção) que, na prática, não deixa ver nada do que se passa. Como Jackie Chan diria, para um filme de acção funcionar é preciso que o realizador seja o coordenador de acção, o ator, o duplo e ainda monte ele próprio o filme (o que é também conveniente para ele, já que deve ser a única pessoa no mundo a preencher todas essas características num mesmo filme). Aqui não se pode dizer que a ação decepcione. Não chega aos pés dos bons clássicos de Hong Kong (mas nem os filmes modernos de HK o conseguem ou tentam), mas é relativamente fluida. Ajuda que Marc Dacascos seja um artista marcial e que Gans seja um fã do gênero e que tenha contratado Philip Kwok (Kuo Chui), de «Hard Boiled» (1992), «The Bride with White Hair» (1993) e, no ocidente, «Tomorrow Never Dies» (1996).


Poster
Tendo em conta a temática e as referidas modas, seria de esperar que «Le Pacte des Loups» se contentasse em ser uma caça-ao-monstro-com-artes-marciais de 90 minutos. Não é assim. Com as suas duas horas e vinte de duração, o filme almeja aproximar-se do estatuto de épico de época (passa-se num flashback durante a revolução francesa), apesar das artes marciais e da besta, e tudo o que se apresenta no ecrã se adequa ao contar da história. Recorre-se com alguma frequência a imagens compostas digitalmente, com resultados que nem sempre são satisfatórios. Algumas cenas de tensão podem sofrer um pouco com isso, pelo menos aos olhos de quem presta demasiada atenção aos pormenores técnicos dos filmes, deixando de se concentrar com o que está a acontecer, para pensar no modo como foi filmado ou criado.


Sem preconceitos contra filmes de gênero (e este pertence a vários) e aceitando a componente "pulp" e fantasista, não há como não apreciar «Le Pacte des Loups». De outro modo é possível considerar que a violência é extremamente gratuita (e “obscena”), como Rob White, na Sight and Sound de Outubro de 2001.



Ficha Técnica

título original:Le Pacte des Loups
gênero:Terror
duração:2 hr 22 min
ano de lançamento: 2001
estúdio: Le Studio Canal+ / TF1 Film Productions / Davis Films / David Films / Eskwad / Natexis Banques Populaires Images / Studio Images Soficas
distribuidora: Universal Focus
direção: Christophe Gans
roteiro: Stéphane Cabel e Christophe Gans
produção: Richard Grandpierre e Samuel Hadida
música: Joseph LoDuca
fotografia: Dan Laustsen
direção de arte: François Decaux e Thierry François
figurino: Dominique Borg
edição: Xavier Loutreuil, Sébastian Prangère e David Wu

Premiações
CÉSAR
Indicações
Melhor Figurino
Melhor Trilha Sonora
Melhor Cenografia
Melhor Som

Curiosidades

- Este é o 7º de 10 filmes em que Vincent Cassel e Monica Bellucci atuam juntos. Os demais foram L'Appartement(1996), Come Mi Vuoi (1997), Dobermann (1997), Compromis (1998), Le Plaisir (et ses Petits Tracas) (1998),Méditerranées (1999), Irreversível (2002), Agentes Secretos (2004) e Sheitan (2006);

- Foi exibido no Festival do Rio de 2001, na mostra Foco França.

Cenas do filme





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